"A feitura do papel a mão é um resgate da técnica milenar (105 d.C) que agora fazemos com a filosofia da reciclagem, preservando o meio ambiente e difundindo a consciência ecológica, imprescindível para a perpetuação da vida no planeta"

As aparas de papel usado são deixadas de molho por algumas horas e depois batidas no liquidificador. A polpa é escorrida em uma tela, transferida para um balde, onde se acrescenta a cola (CMC), um pouco de fungicida (Borato de Sódio - bórax), e mede-se o pH que deve ser mantido com uma leve reserva alcalina (8.0). Pode-se adicionar cascas de cebola, flores desidratadas, linhas, tudo o que for têxtil ou orgânico.

As folhas são formadas na superfície de uma tela de nylon com uma moldura externa, de encaixe, que chamamos de molde. Em seguida, mergulha-se a tela com o molde em uma tina ou bacia com água e um pouco de polpa, até obtermos a espessura (ou gramatura) ideal. À medida que formos retirando uma folha, uma medida da polpa preparada é acrescentada, para que possamos manter a gramatura em uma mesma tiragem.

A folha formada é retirada da tela e transferida para um tecido fino, como entertela ou tergal, formando uma pilha, sobre uma tábua revestida com fórmica ou plástico grosso. Uma outra tábua semelhante é colocada sobre a pilha, que é levada à prensa para retirar o excesso de água, dando resistência às folhas de papel. Depois de prensadas, as folhas, presas nos tecidos, são dependuradas em varal de corda até secarem completamente. Após esta etapa, pode-se aplicar a colagem superficial, borrifando um pouco da cola (CMC) na superfície das folhas, o que diminuirá a absorção a líquido e tintas. Deve-se prensá-las novamente até que sua superfície fique lisa e plana. Com este acabamento o papel produzido servirá para aplicação em diversos fins como: impressão em silk, tipografia e impressoras jato de tinta, colagens, encadernação, cartonagem em geral, aplicação em decoração, luminárias, e tudo o que sua imaginação permitir.

Nícia Mafra